quarta-feira, 30 de junho de 2010

Seis meses de amamentação quase exclusiva

Estou muito orgulhosa e feliz.
Hoje meu filhote faz 6 meses.
Foram tantas coisas que aconteceram nesse meio ano. Aliás tantas coisas que aconteceram desde a gestação!


Sobre a amamentação
Quando eu estava grávida, achava que amamentação era uma coisa natural, simples e tranquila. Apesar de ter lido sobre isto, achava que os bicos rachados e as dores passariam longe de mim. É aquele famoso sentimento que quase todo mundo tem de que as coisas ruins só acontecem com os outros, nunca com a gente mesmo. Vi e revi varias vezes as fotos sobre uma boa pega, sobre diferentes posições para amamentar etc. E sonhava com os momentos tranquilos que eu criaria para amamentar o meu filho. Com música suave e pouca luz. Tudo bem idealizado, tipo comercial de televisão.

Mas ainda na maternidade começaram as dificuldades, o Gustavo não pegava o peito e sempre que a gente tentava, ele chorava. Duas enfermeiras tentaram ajudar (ajudar???), mas com uma falta de delicadeza absurda! Seguravam a cabecinha pequena dele com um dedo de cada lado da cabeça, perto dos olhos. Apertavam com brutalidade que achei que ia machucar os olhos dele. Ele chorava. Alegavam que era fome. E afundavam o rostinho dele no meu peito. Horrível. E ele já irritado, chorava ainda mais. Foi então que uma delas disse que teria dar complemento. Tentei argumentar, mas elas me colocaram tanto medo, que me deixaram sem opção. Fiquei triste, mas acabei consentindo. Ficamos no hospital um dia e meio. E neste período ele mamou no peito uma única vez. Chegamos em casa por volta das 17:00h do dia 31/12 e a nossa primeira noite -da passagem de ano - foi péssima. Uma madrugada difícil, que não vamos esquecer. Mesmo com varias tentativas, o Gustavo não conseguia pegar o peito e vê-lo chorando de fome daquele jeito me abalou muito. Chorei tanto quanto ele. Então o Carlos saiu e comprou um tira leite manual, que mais parecia um instrumento de tortura. Não consegui tirar nem uma gota. Frustrada, cansada e triste, concordei em dar NAN e o Carlos foi comprar. Mas ele também não conseguia mamar na mamadeira. Então o Carlos saiu de novo e comprou uma seringa. E foi assim que conseguimos alimentar o Gustavo por dois dias. NAN dado na seringa.
No dia 02/01 fui no banco de leite procurar ajuda e recebi muita atenção, amor e carinho das enfermeiras de lá. E ele finalmente conseguiu pegar o peito.
Então começou uma nova etapa da nossa batalha. Dores e uma sensibilidade infinita no bico do peito. Cheguei a pensar que nunca mais conseguiria tomar banho normalmente, deixando cair água direto no peito, tamanha era a dor. Depois vieram as dores de quando o leite desceu: aquele peito super cheio e duro dificultaram a pega de novo. Eu achava impossível piorar, mas passados alguns dias, a dor ficou mais intensa. Não chegou a rachar, mas a minha sensação era de que estava em carne viva. Entre as mamadas, a dor melhorava e quando o Gustavo dormia, eu tinha medo dele acordar, sentia arrepios quando ele começava a se mexer, porque eu sabia que tudo estava prestes a recomeçar. Isso tudo abalou muito a minha auto confiança e fiquei achando que eu não ia conseguir! Eu sempre tive determinação para amamentar meu filho, mas confesso que em varios momentos quase me deixei levar pelos apelos de dar cada vez mais mamadeira pra ele. Também tive baby blues o que contribuia de forma negativa na amamentação!!
Eu não conseguia entender como alguém tinha prazer em amamentar!! Muitas vezes, no auge da dor, eu apertava a fralda e o bumbum do Gu. Ele nunca chorou por isto, mas quando acabava a mamada, eu me sentia a pior mãe do mundo. Usei tudo o que me indicaram, pomada de lanonina, bico de silicone, sol, etc. Andava pela casa feito índia, sempre com os peitos de fora, primeiro porque diziam que era bom e depois porque não aguentava sentir o tecido encostando na pele. Por tudo isto, durante mais ou menos um mês, dei uma mamadeira de NAN a noite, antes dele dormir. Assim ele dormia mais tempo e eu conseguia descansar um pouco mais e tinha tempo para os bicos se recuperarem. Vez ou outra também dei uma mamadeira durante o dia. Além de tudo, eu estava meio preocupada se o leite estava sustentando o meu filho, se ele estava ganhando peso. E na melhor das intenções, minha mãe sempre recomendava dar a mamadeira mais vezes durante o dia. Um certo dia, eu rezei. Rezei um terço inteiro enquanto amamentava, pedindo a Deus que me ajudasse a aceitar aquela dor. Coincidência ou não, deste dia em diante, as coisas foram melhorando. Aos poucos comecei a me acostumar com a dor ou talvez a pele tenha ficado mais resistente e o meu cansaço também já não era tão intenso, e gradualmente deixei de dar a tal mamadeira noturna. A primeira consulta com a pediatra também foi um baita incentivo, porque diante das reclamações constantes do Gustavo enquanto mamava, eu achava que não tinha leite suficiente e quando vi que ele cresceu e engordou como deveria, fiquei bem mais tranquila e confiante. Bem que dizem que a amamentação depende muito do estado psicológico da mãe. É verdade. Foram muitos altos e baixos neste processo todo e hoje tenho muito orgulho da mulher e mãe que sou.

Foram 6 meses de amamentação quase exclusiva. E hoje tenho convicção de que o "quase" me ajudou muito no processo.
Consegui dar para o meu filho, o meu leite. Acompanhado é claro, de amor, carinho, ternura, afeto e de todos os sentimentos puros e lindos que tenho por ele.
Eu amo ver este pingo de gente pendurado no meu peito, os olhares dele para mim enquanto mama, vê-lo sorrindo com o bico ainda na boca, as mãozinhas dele passeando no meu rosto.
São momentos que eu não vou esquecer nunca mais.

E sei que é próprio dos mamíferos, os filhotes passarem um período da vida só se alimentando na mãe, mas ainda assim, acho isto um lindo e misterioso milagre da natureza.

Falando do meu pequeno.
Meio ano de vida.
É difícil descrever.
Tantos sentimentos. Tanta intensidade. Tanto trabalho. Tanta alegria.
Tanto desenvolvimento em tão pouco tempo.
Já entende, já se expressa, já se irrita, já dá gargalhada.
Já senta sem apoio, já rola, já sustenta o próprio peso nas pernas.
Como pode? São apenas 183 dias de vida!
É impressionante e surpreendente!
É cansativo também, admito.
Mas sobretudo, é maravilhoso.
Um pequeno ser, responsável por um imenso amor.

10 comentários:

Paloma, a mãe disse...

Fabi, parabéns pelos 6 meses do Gu. E pela conquista da amamentação. Tive todos estes problemas que vc descreveu (e mais alguns outros) e antes nunca pensei que aconteceriam comigo. É barra e acho importante compartilhaermos este tipo de coisa também, para não forjar um mundo cor-de-rosa.
São batalhas que a gente vai vencendo diariamente, esta é a realidade da maternidade.
Beijos

Fabiola disse...

Parabéns Fabi!! passa num instante, né?? dá até saudades dos tempos que eram bebezinhos, pq crescem tão rápido que deixam de ser bebês logo, logo.. :(
Respondendo a sua pergunta... ela consegue tocar a miserável da vuvuzela, só que baixinho... :) e o pai toca a plenos pulmões!!! a mim, só resta um protetor de ouvidos e paciência.. hahaha...
Bjinhos!

Juliana disse...

Menina,foi vc ou fui eu que escreveu esse post? A parte do arrepio quando o bebê começa a acordar antes de mamar me levou as lágrimas. Tu leu o meu post sobre a amamentação? Impressionante o que a condição de mãe faz a gente supotar por um amor maior. Eu fiquei mais de dois meses sem poder secar o seio depois do banho pela dor. E tenho plena consciência que as eventuais mamadeiras de Nan que eu ofereci à ela foram grandes aliadas para que eu chegasse onde cheguei hoje, ela mamando só o meu,"leitão". Rsrsrs beijos.

Kelly Resende disse...

Lindo o post, tb me identifiquei bastante. Minha filha pegou o peito fácil, ela mamava direitinho sempre, mas a dor nos bicos foi uma coisa absurda! Teve dias que eu amamentava e me contorcia toda, achava que não ia suportar a dor, até que ela foi sumindo e de repente passou. Sofri muita pressão para dar mamadeira tb, pq a Clara chorava muito e me diziam que era fome (principalmente minha mãe), cheguei a tentar dar Nan, mas ela não se adaptou. Depois tivemos muitos problemas com o ganho de peso, ela mamava direito mas não ganhava peso, mto dificil. Hoje ela mama no peito e um pouquinho de complemento, que foi o que ajudou a ficar no peso normal, mas é um leite desse bem caros, pq os normais ela passa mal.
Abraços e parabéns pelos 6 meses do Gu!

Vivian disse...

Que lindo, Fabi! Enquanto lia, me emocionava, porque me vi na sua situação. É...amamentar é uma arte, como já escrevi, não é fácil, exige persistência e muito amor!
Parabéns pela sua luta, sei como é difícil!
Bjo grande! E parabéns ao Gu pelo meio ano de vida!

Sarah disse...

Lindo texto Fabi! Você foi e é uma mamãe guerreira! Que bom que não desistiu da amamentação, mesmo nos piores momentos. A sensação que nós todas sentimos vc resumiu no final: "É cansativo também, admito.
Mas sobretudo, é maravilhoso."
E olha, daqui para frente só melhora!
um beijo!

Lia disse...

Linda história! Espero que inspire outras mães. Parabéns pra vocês, nesta data querida!

Renata disse...

Nossa, Fabi...nem imaginava que vc tinha tido toda essa dificuldade para amamentar o Gu. Parabéns pelo empenho, força de vontade e superação. Só o amor de mãe é capaz de tanta entrega, não é mesmo?
E parabéns pelos 6 meses do pequeno! Passou voando!
beijo grande, Re

Fabiana disse...

Fabi, que lindo, acho que todas passamos a mesma coisa, tantas emoções e tanta dor, mas vale a pena demais. E isso mesmo, ser Mae..

Mães, mulheres e tal disse...

Será que eu sou mais boba ou todas as mães que viram esse post encheram os olhos e embargaram a voz??

Que coisa, não conhecia seu blog, cheguei aqui pelo "Mãe do Bento",e ler isso que vc disse fez passar um filme na minha cabeça, por pouco eu nao senti novamente as dores da amamentação (e os prazeres tb)...Que bom conhecer vc e o Gu (que é um príncipe)

Bj enorme pra vcs

Jéssica, mãe da Giovanna e da Maria Luiza

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